Sei que vou chorar um dia a ouvir isto. Porque Lisboa me corre no sangue, ainda que o "castiço" não saia cá para fora, o meu fado é saltitante, é sentido, é vociferado aqui e ali, com guitarras a acompanhar e um Ha, fadista! quando supero as coisas que a vida me põe à frente, para eu ser mais quem eu quero, com espírito do mundo e lusitano. Linda voz, linda forma de cantar, lindas ruelas onde muito já aconteceu e acontecerá, calcetada pelos passos dos muitos que as palmilharam, alheios que a cidade registou a passagem. Quero viver mais dias nesta cidade virada para o mundo, com o meu avô a mostrar-me cada recanto e a contar-me as histórias que o recanto lhe contou a ele.
Cidade virada para o mar, de onde muitos partiram, regressando apenas no nome que ficou na história. Acordei com fado todos os dias, na casa dos meus avós. Sei o que é um "coãlho", "vermãlho", e sei o que são sardinhas assadas. Ficou-me no sangue, e sei que um dia vou chorar ao lembrar-me de tudo.
Sou de terra de marinheiros e pescadores que fizeram e fazem a sua vida em torno do reino de Poseídon, à procura de sereias, quando elas estão em terra...dentro deles. E sou marinheira, que gostou de marinheiros, e que ainda agora se prepara para se adentrar no mar.
Sofia Morna

http://www.youtube.com/watch?v=4-YVtlfBZX0
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