quinta-feira, 29 de julho de 2010

(De) Volta à França



Hoje acordei com o cheiro de Paris, e com a França no horizonte, como se pudesse ver a Eiffel daqui da minha rua.

E ouço acordeões como se estivesse no Metro, recheiro as castanhas assadas, e vejo a Joana D'Arc banhada a ouro a iluminar uma rua,  a acenar-me dali. Como se se lembrasse que me viu com uma t-shirt J'aime Paris a olhar para ela com vontade de a ver.

Há noites em que realmente Morfeu nos leva a passear. Estive em França, de certeza, sem ter dado por ela.
Voei, e aterrei numa nuvem, hoje de manhã.
...A julgar pela leveza, devo ter aterrado.

Agora, ouço os sons que vêm de lá, dentro de mim.
Um Mimo que Morfeu me deixou, para me relembrar do presente que me deu.

Quando lá voltar, um dia, vou poder deixar de ouvir a música para me recordar.Por enquanto, contento-me e relembro com acordeões dedilhados.
Quando França me acolher outra vez, vou ouvir as músicas tocadas quase em improviso, para trazer mais memórias de uma vez. Sem medo de pesos.
Porque memórias destas?, não pesam na bagagem.
Poem asas nos pés.

Sofia Morna

terça-feira, 27 de julho de 2010

Mais do que este dia


Nada vale mais que este dia.

(Goethe)

E, concordando com Goethe...

"E assim não andeis inquietados pelo dia de amanhã. Porque o dia de amanhã a si mesmo trará o seu cuidado; ao dia basta a sua própria aflição."

(Mateus, 19-21, 25-34)

O que verdadeiramente existe é este instante que me escorre pelas mãos, desliza pelo relógio de pulso a olhar sempre em frente, sem deixar que o veja.
Passa por mim como vento, enquanto tento mergulhar nele com todos os sentidos,
com toda a gratidão.

Que os segundos se alarguem, para caber o mundo.

Sofia Morna

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dance me to the end



Ouçam.
Apesar do fim, e do dançar "até ao fim do amor", que acaba por não existir, a voz é linda, os sons ricos e a voz muito, muito, muito interessante.
Que isto vos faça dançar até ao início do amor, pelo Jazz.

Amar, é sempre no presente. Nunca no imperativo.
Talvez no futuro, mas nunca no passado, li eu.

Talvez.
Talvez mesmo, quase a raiar a certeza.

Sofia Morna

Peace



Projecto pela Paz no Mundo: música a operar magias.
Os sons não têm chão.
Misturam-se culturas e mostra-se a beleza das alianças.

Não é à toa que são feitas de ouro, de quilate verdadeiro.

Sofia Morna

Canon


Há alturas em que queremos varrer estas coisas: que é possível inspirar-se entre estilhaços e vidros partidos, deste mundo que anda rachado.
E ficamos estranhos a olhar coisas destas, como quem rejeita a mão que lhe quer tapar os olhos...
O mundo anda partido, dizemos.
Mas as imagens projectam: há muito que se mantém unido.
E sentamo-nos, em semi-maravilha, porque não nos permitimos maravilhar-nos por todo.

As máquinas, serão o nosso regresso à Natureza, li um dia.

Não serão?
Apreciar, com lentes sobre as lentes dos nossos olhos.
E ver os animais como um mundo admiravelmente novo. Segundo Darwin, um mundo que já fomos.
Uma infância perdida do Homo Sapiens, que não nos lembramos. E que nem sequer já sabemos ler.

Só quem aprecia a vida, no que tem de selvagem, de impoluto, de imprevisível e de tímida, pode ter uma voz doce e sussurrar como que respeita.

Fiquem e peguem na máquina. Para olhar melhor.
E vejam o vídeo.
A verdadeira vida, não se mostra, mas deixa-se ver.

Sofia Morna

Olá.

Que não passe um dia sem que nós sintamos aquele vento por dentro, uma brisa revificadora, que nos diz que há mais espaços a conquistar, Além.
E a brisa volta a dizer.
Que o mundo se alarga e se encolhe, consoante o nosso coração se abre ou fecha.
Que há mares nunca antes navegados, e que somos mais, muito mais do que isto - que vemos enquanto olhamos para outros sítios.

E depois da brisa passar/
Que se encontrem amigos que nos afaguem, nesse final do dia.
Sorrisos que nos abracem, amigos cujos abraços nos sorriam, mesmo que abracem só em palavras.
Dentro de nós, temos o mundo. Dentro do mundo, estamos nós. E entre dentros e foras, a vida acontece.

Assim o coração inspire, e expire, se abra e se feche.
Assim o coração se feche, e depois se abra ao mundo, dizendo-lhe -fresco e puro- um olá.

Ele-o mundo- vai sentir que algo bem dentro dele lhe afagou a alma, e lhe apertou o peito num abraço.
...
..."Olá."?
Bingo.

Sofia Morna

domingo, 18 de julho de 2010

Lisboa, terra de mim



Sei que vou chorar um dia a ouvir isto. Porque Lisboa me corre no sangue, ainda que o "castiço" não saia cá para fora, o meu fado é saltitante, é sentido, é vociferado aqui e ali, com guitarras a acompanhar e um Ha, fadista! quando supero as coisas que a vida me põe à frente, para eu ser mais quem eu quero, com espírito do mundo e lusitano. Linda voz, linda forma de cantar, lindas ruelas onde muito já aconteceu e acontecerá, calcetada pelos passos dos muitos que as palmilharam, alheios que a cidade registou a passagem. Quero viver mais dias nesta cidade virada para o mundo, com o meu avô a mostrar-me cada recanto e a contar-me as histórias que o recanto lhe contou a ele.
Cidade virada para o mar, de onde muitos partiram, regressando apenas no nome que ficou na história. Acordei com fado todos os dias, na casa dos meus avós. Sei o que é um "coãlho", "vermãlho", e sei o que são sardinhas assadas. Ficou-me no sangue, e sei que um dia vou chorar ao lembrar-me de tudo.
Sou de terra de marinheiros e pescadores que fizeram e fazem a sua vida em torno do reino de Poseídon, à procura de sereias, quando elas estão em terra...dentro deles. E sou marinheira, que gostou de marinheiros, e que ainda agora se prepara para se adentrar no mar.

Sofia Morna

E vai à nossa, à nossa Beira. Lindo.



"Suor do rosto para pisar e ver o mosto, nos lagares do bom caminho, nos lagares do bom caminho."

Carlos Paião

Pertencemos aqui, também. A esta terra abençoada, pisada por Ulisses, à beira mar. Com vinhos, cultivos, guitarras chorantes, ideias chorosas, fados, sonhos, maresias. Pecados e crenças que se sustentam uns aos outros, erros, fatalidades, revoluções regeneradas.

Carlos Paião, Zeca Afonso, António Nobre, Revoluções em casa: humanas.

Queixar-me? De pertencer a um sítio que me inspira até ao tutano e que sei que muda a duras penas, mas cuja vida tem valor, em cada respiro?
Não. Não rejeito o (por vezes, estranho) recheio e o substrato do lusitano.
Mas muito, ainda, mudará.
O que fica, é o que fazemos com tudo isto. Carlos Paião, fizeste.
Vamos fazendo.

Sofia Morna

Palavras: manusear com cuidado.

As palavras mudam um mundo. Ninguém me desconvence disso.
Até estas, ganharam espaço.
Aqui, e aí.
Onde são lidas e reescritas.

Sofia Morna

Y: as ondas da vida

O cifrão sustenta a vida. Sustenta, sim, em alguns sítios: aqueles que saíram da Natureza.
Porque, noutros lugares,quem nos tira as mãos tira-nos os sustentos.

O homem, cria. E aprendeu a aprender a terra e a cultivar.
A senti-la. A saber, como o meu avô, com um pau em Y entre as mãos - empunhado como uma antena que busca ondas diferentes- onde estão lençois de água ou não.
A saber quando florescem as amendoeiras, sem saber como florescem e como a semente dá planta, flor, e fruto. Mas com um conhecimento fundo de como fazer a terra florescer. De como chamar a chuva: fazer magia com o cultivo.

Sentimos o cheiro da terra e sabemos que pertencemos lá.
A terra cheira, e cheiramo-la com a alma.
E há coisas que ela nos diz, só quando a trabalhamos e ela se deixa trabalhar por nós. Naquela intimidade de quem semeia e de quem se deixa semear, confiando.

Qual dinheiro? Qual papel que governa o mundo?
Qual ouro que vira ornamentos em aneis e pescoços, que sai de minas às duras penas das costas e pulmões arfantes de muitos?
Que terra é esta que vê sair de si as suas riquezas arrancadas das suas intimidades? É nossa?
Não, somos dela.

Ouro, pedras preciosas, petróleo.
Talvez eles façam algum sentido no sítio onde jazem. E talvez faça sentido usá-los com o respeito de coisas milenares.

Dinheiro: ter é poder.
Mas, nós, nós só temos as nossas mãos.

Sofia Morna

sábado, 10 de julho de 2010

Olhemos

Haja alma que sonhe acima do tamanho do corpo, que salte acima da propulsão das pernas, e olhe para além do que a menina do olho capta.

Mas, até lá, que capte...


Há quem cresça, desatento do crescer.
Mas há quem seja feliz, apreciando-o.

Como será sentir de novo a conquista de andar pela primeira vez?
E voar com isso, ainda que mal andemos?

A menina do olho não passa nunca de menina, porque cresce para sempre.
Olhemos, e que a menina voe.
Vejamos, para que a menina dance.

Sofia Morna

Esperando

A cada dia, uma esperança vira memória.
Entre esperança e memória, o que existe?
O que existiu?

Pois, que exista. A pulmões cheios

Sofia Morna

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Agora é que me lixaram...vou ali e já venho.