domingo, 18 de julho de 2010

Y: as ondas da vida

O cifrão sustenta a vida. Sustenta, sim, em alguns sítios: aqueles que saíram da Natureza.
Porque, noutros lugares,quem nos tira as mãos tira-nos os sustentos.

O homem, cria. E aprendeu a aprender a terra e a cultivar.
A senti-la. A saber, como o meu avô, com um pau em Y entre as mãos - empunhado como uma antena que busca ondas diferentes- onde estão lençois de água ou não.
A saber quando florescem as amendoeiras, sem saber como florescem e como a semente dá planta, flor, e fruto. Mas com um conhecimento fundo de como fazer a terra florescer. De como chamar a chuva: fazer magia com o cultivo.

Sentimos o cheiro da terra e sabemos que pertencemos lá.
A terra cheira, e cheiramo-la com a alma.
E há coisas que ela nos diz, só quando a trabalhamos e ela se deixa trabalhar por nós. Naquela intimidade de quem semeia e de quem se deixa semear, confiando.

Qual dinheiro? Qual papel que governa o mundo?
Qual ouro que vira ornamentos em aneis e pescoços, que sai de minas às duras penas das costas e pulmões arfantes de muitos?
Que terra é esta que vê sair de si as suas riquezas arrancadas das suas intimidades? É nossa?
Não, somos dela.

Ouro, pedras preciosas, petróleo.
Talvez eles façam algum sentido no sítio onde jazem. E talvez faça sentido usá-los com o respeito de coisas milenares.

Dinheiro: ter é poder.
Mas, nós, nós só temos as nossas mãos.

Sofia Morna

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Agora é que me lixaram...vou ali e já venho.