domingo, 7 de fevereiro de 2010

Uma estátua de Michelangelo.

Às vezes o desejo das coisas apaga-se, não porque as coisas se apagam e se começam as esvair no mundo lá fora, do Futuro lá à frente, não porque elas perdem força, mas porque nós estamo-nos a apagar para elas. A Vontade é a verdadeira imagem da vida, a forma de cada alma se espraiar lá fora como um raio de luz, como aquele que precisamente neste momento se espraia sobre as cabeças de todos nós e as inspira, as aquece e lhes lembra que é Dia.
Somos matéria, somos. Mas a matéria, é tão mais que simples matéria!
E o desejo tão mais que desejo!
Quantas vezes o desejo não é nada mais que uma compensação do que nos falta em nós? Quantas vezes o desejo não é uma inspiração para se poder expirar?
Quantas vezes a Vontade não é Vida?
Cada desejo significa algo, e vencê-los significa entende-los e perceber, que somos e seremos sempre seres por acabar. Com vontade de crescer, se moldar e se polir.
Com poucos instrumentos lá vamos, com espelhos escassos e poucas lupas e lentes (a não ser aquelas perto das mãos que nos moldam), vamo-nos modelando...parte por parte, minuto a minuto, aprendizagem a aprendizagem.
E esse moldar não pára mais.
E as nossas mãos nunca se cansam...
E o barro sente-se feliz, abençoado, em estado de Graça, porque e quando a sua vontade é a mesma das mãos que o moldam, e a inspiração é a mesma que o raio de luz que a inspira.
Nem sempre a criação é dolorosa, nem sempre leva ao prazer, à satisfação , à elevação. Mas o desejo, o desejo está lá. A enunciação da vida, está ali, naquilo que se quer fazer...seja deixar fluir a inspiração, seja evitar moldar por uns tempos, seja deixar passar o tempo sem nada fazer.
Tudo isso é espelhado nos espelhos perto das mãos, tudo isso é sublinhado pelas lentes que aumentam as nossas partes e tudo isso é feito, porque os olhos? Não querem ver mais do que aquilo que sentem.
O que sentem agora os meus?
Benção, por ainda não estar terminada.

Sofia Morna

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Agora é que me lixaram...vou ali e já venho.